'do you want love or you want fame ?'
- Que role insano foi este?
Disse Johnn se sentando em minha cama naquela mesma manhã. O relógio já marcava nove e meia e ele já estava começando a passar seu Studio Fix da MAC no rosto - para esconder as olheiras que insistiam em ser o preço de madrugadas de diversão. Ele estava com um pouco de pressa, pois tinha se esquecido de que aquele sábado era o que ele teria de passar com seu pai, que já havia ligado várias vezes em seu celular perguntando por onde ele estava.
- Foi divertido! – respondi enquanto ele passava pó compacto sobre as olheiras.
Eu estava sentado ao seu lado, praticamente nu, me sentindo um pouco cansado. Para falar a verdade, eu estava morrendo de sono, mas mesmo assim eu não sentia nem um pingo de vontade de encerrar o role, a noite realmente havia sido perfeita.
- O que era aquele tal de Lucas que Ryan estava pegando hein? - disse Johnn se levantando indo em direção ao meu espelho.
- Eu gostei dele, – respondi com pouco animo me lembrando de um lindo garoto que não devia ter mais de 17 anos que estava com Ryan na hora em que Johnn e eu saímos do banheiro das meninas. Ele havia aparecido no role junto da turma do tal boy que a Sabrina estava esperando a noite toda – se ele não se apaixonar pelo Ryan tem chances de ficar no role por um bom tempo.
- Jamé, só um louco para se apaixonar por Ryan! – disse Johnn com num tom bem enjoado. Era incrível como ele insistia em não gostar de Ryan, mesmo sendo forçado por mim a vê-lo todas as semanas nos últimos meses – E, além disso, onde Philipy entra nessa história?
- Não seja malvado em relação a Ryan, – respondi em tom de reprovação – ele e o Philipy não tem nada além de uma foda fixa, ou seja, Ryan pode pegar quem quiser.
- Não sei para que tanta defesa, - falou Johnn olhando para o espelho – mas não iremos discutir sobre isso.
- Ok! – concordei, pois falar dos relacionamentos de Ryan só não era mais chato do que falar do relacionamento entre eu e Johnn - Você tem mesmo e ir?
- Sim. - respondeu parando só um instante de se maquiar para olhar para mim novamente. Aquela era a terceira vez em que eu estava perguntando se ele realmente tinha de ir, e pela terceira vez ele respondia que sim, estava ficando chato de perguntar, mas ainda não tinha me convencido, ele tinha de ficar – Eu preciso falar com meu pai hoje, preciso lançar a real para ele!
- Que real? – perguntei sem nem ao menos parar para pensar nas palavras que saiam de minha boca, algo que era típico de mim quando eu estava com sono - Vai falar para ele que você é gay?
Johnn ficou em silêncio durante quase um minuto completo, eu odiava quando ele fazia aquilo, me deixava totalmente sem saber se encerrava ou não o assunto. Eu já ia abrindo a boca para perguntar outra coisa e acabar de vez com aquele silencia incomodo, até que finalmente ele respondeu: - Também!
- Legal, mas tem de ser justo hoje? – perguntei me sentindo uma criança chata que não para de fazer perguntas mais chatas ainda – Você foi gay sua vida inteira, porque justo HOJE você tem de ir falar para ele?
- Esqueceu que ainda sou menor de idade, - respondeu com os olhos fixados no espelho – você conhece minha mãe, ela quer controlar tudo, até o dia em que vou ver meu pai.
Era um pouco absurdo o que ele acabava de dizer em minha opinião, mas era a verdade. Os pais de Johnn eram separados desde quando ele era apenas um bebe e a cada duas semanas ele tinha de passar um final de semana com seu pai o que era o caso daquele dia. Era importante para mim que ele ficasse, mas eu sabia o quanto era importante para Johnn conversar com seu pai, que era muito mais presente que o meu que era separado de minha mãe apenas há três anos.
- Mas hoje minha mãe vai querer comemorar no restaurante o resultado da crítica, – continuei com minha incistencia – tipo assim, você tem de estar presente.
- Eu sei, – ele respondeu calmamente – eu prometo não perder a festa, só me de esta tarde com meu pai.
- Ah Johnn! – falei me sentindo derrotado. Eu me deitei virado de costas para ele e fechei meus olhos sem nenhum esforço, fingindo estar dormindo, só para irritá-lo. Talvez fosse até melhor dormir antes de ele sair, pelo menos eu não ia ter de esperar sozinho o sono me derrubar. Alguns minutos se passaram e logo senti seu braço passando por minha cintura, me abraçando por traz, esperando que eu me virasse.
- Você não vai me dar um beijo de despedida? – ele me perguntou quase sussurrando em meu ouvido.
- Não... - respondi calmamente sem abrir meus olhos.
- Não mesmo? - perguntou novamente sussurrando dando uma pequena mordida a ponta da minha orelha, ele realmente sabia quais eram os meus pontos fracos.
- Ok – falei abrindo os olhos e me virando para ele - talvez eu pense sobre isto...
Naquele momento eu senti aquela certa dose de vergonha ao ver o quanto Johnn estava lindo. Era impossível dizer que ele já estava acordado a quase vinte e quatro horas, sua pele parecia perfeita, seu cabelo loiro como já de costume estava um pouco bagunçado, dando um pequeno contraste aos seus lindos olhos verde, não dava para negar, ele era um gato e era meu.
- Como você é biscate! – disse ele quase encostando a ponta de seu empinado nariz no meu depois de uma boa gargalhada - Se pudesse eu ficaria você sabe muito bem disso.
-mimimi mimimi! – reclamei com impaciência – Não sei não, come on, fica vai?
- Você é muito mimado sabia disso? – em num tom de voz fingindo estar bravo, eu sabia que tinha perdido, ele iria embora. Retribui o sorriso e com forças que eu nem sabia que ainda tinha, o girei para o lado de modo que eu ficasse em cima dele.
- Então eu sou mimado não é? – falei me sentando em cima dele.
- Orra, pra caralho! – ele respondeu rindo.
Eu abaixei minha cabeça até o lado da dele e pela sua respiração, parecia que eu tinha dado um susto nele.
- Você não faz idéia de como mimado posso ser! – falei sussurrando ao pé de seu ouvido.
Fizemos uma troca de quase um segundo de olhares eu o beijei puxando-o pela nuca, fazendo ficar sentado também. Rapidamente minha mão conseguiu alcançar o seu objetivo, ele poderia até ir embora, mas eu iria aproveitar cada segundo para deixá-lo com vontade de voltar o quanto antes.
- Avisa ao Ryan que se ele for pegar banza eu também quero. – falou Johnn alguns minutos depois, quando ouvimos o som da buzina do carro de seu pai avisando que era hora de ir. Ele se levantou e se ajeitou em frente ao espelho e depois de um rápido selinho ele saiu em silêncio pela porta de meu quarto.
- All right! – respondi quando ele havia passado pela porta do meu quarto.
Eu me levantei com o edredom enrolado ao meu corpo e fui até a janela onde pude vê-lo passando pelo gramado e entrando no carro de seu pai que logo começou a se movimentar. O sol batia na janela esquentando minha pele gelada, tudo que meu corpo pedia era cama.
Aquele pelo visto, era o fim de mais um role, agora me restava somente me preparar para o próximo. Era incrível como a noite se passava tão lenta quando eu ficava ‘parcialmente’ sóbrio, já parecia que havia passado semanas desde o inicio da noite anterior, onde toda a galera mais hype e gay da cidade conseguiu se reunir mais uma vez, o que era algo raro. O mais estranho para mim, era simplesmente o fato de eu não ter participado de todo este role, praticamente a única coisa que eu havia feito era sexo com Johnn durante grande parte da madrugada. Apesar de estar bem, eu sabia que toda essa atenção exclusiva a Johnn iria me causar alguns problemas, mas eu estava muito feliz e não queria pensar naquilo, eu sabia que no fundo todos deveriam ter entendido.
Apesar de bastante sol o dia não estava tão quente, cada canto da casa parecia estar gelado, o que me forçou a tomar um banho tão quente quanto demorado. Assim quando sai do banho tudo que eu mais queria era me deitar, mas a aquela altura meu estomago já estava roncando de fome, afinal, eu não comia nada desde as dezenove horas do dia anterior e sem contar a larica do banza que eu havia fumado com Ryan a uma da manhã. Eu desci as escadas em direção a cozinha e lá encontrei minha mãe vestida com um visual de quem pretendia fazer um corrida ainda pela manhã (só pretendia) e meu irmão que fazia carinho em Floppy, Flooper ou ‘Fucking’, ou sei lá qual o nome do Golden Retriever que ele havia ganhado um mês antes de presente do nosso pai.
- Bom dia! –minha mãe disse alegremente enquanto pegava alguns ovos na geladeira.
- Oi – respondi com aquele animo de quem quer mostrar que ainda não havia dormido.
Floppy veio direto em minha direção e foi logo mordendo minha meia, o que era típico dele.
- Aaah, vai tomar no cu! – falei para Floppy empurrando ele para o mais longe de mim, aquilo realmente me irritava naquele horário da manhã.
- Pensei que você estivesse dormindo com Johnn! – disse minha mãe separando alguns ingredientes da geladeira.
- E a crítica? – perguntei mostrando a ela que não queria falar da minha vida intima naquele momento, em pleno café da manhã e ainda mais na presença do irritante Fucking.
- Tudo bem! – ela respondeu pegado o jornal que estava dobrado ao lado dela – aqui, esta é a pagina com a crítica!
Ela passou o jornal que estava na mesa para mim. Ele estava dobrado bem no caderno de culinária que tinha grandes letras no topo escrito: ‘UM SUCESSO QUE REALMENTE VALE A PENA ENTRAR’. Havia uma foto de corpo inteiro de minha mãe e outras do Le Grand Rouge, o restaurante de minha mãe, por toda a página. Havia muito mais coisas escritas como praticamente toda trajetória de minha mãe, todos os trabalhos que ela já havia realizado e um breve histórico sobre nossa família, o que achei estranho, afinal era muito mais coisa do que se via em uma critica convencional. Ao final da página estava escrito o nome do critico, Julio Aníbal, e por alguma razão, achei bem familiar, era como se eu já tivesse conhecido alguém com esse nome, só não estava associando a pessoa. Como eu não estava fisicamente pronto para iniciar uma leitura, resolvi ir logo para o resultado final.
- Cinco estrelas? – perguntei olhando para as cinco estrelas no canto direito da página – Parece que alguém aqui (eu) vai ganhar aquela viagem para Londres no final do ano.
- Há há há, engraçadinho, - respondeu minha mãe num tom sarcástico que me irritava – já falei que só se entrar para a universidade.
- Ok, ok, não vamos entrar nesses assuntos pela manhã... - falei beliscando o gergelim do pão que ela havia colocado em cima do balcão – Parabéns mãe, a senhora merece!
- Obrigado querido. - ela respondeu parando só por um instante suas tarefas, ela parecia eufórica, de uma maneira que iria explodira qualquer momento de felicidade - mas não se esqueça que o resultado não é só meu, é de toda a equipe e você tem de estar lá para parabenizá-los esta noite, pois ele deram duro o ano inteiro e sempre com a garra que eu quero que você tenha no seu...
Eu senti que ela iria começar mais um discurso chato sobre seu trabalho em conjunto quando o telefone começara a tocar. Isto era uma coisa que ela costumava deixar para meu pai fazer, mas pelo visto ela estava empolgada demais.
-... Só um instante! - disse ela correndo para atender ao telefone, essa era a parte mais chata para ela eu acho. Toda vez que o restaurante se destacava um pouco, o telefone não parava. Sempre apareciam inúmeros amigos querendo parabenizar-la pelo resultado e tentar tirar algum proveito disso, todo ano era sempre assim, eu não sabia de onde ela tirava aquela paciência.
Vendo que nossa conversa estava encerrada, eu larguei o jornal de lado e fui até a geladeira pegar algo para comer. Meu irmão ficava apenas me observado, o que já estava me deixando nervoso, pois quando ele fazia aquilo significava duas coisas: ou ele estava com raiva de mim ou eu estava ferrado em casa.
- O que foi? – falei abrindo o freezer e pegando um pote de sorvete Häagen-Dazs e depois uma colher na gaveta do balcão.
- Você também saiu no jornal junto com seus amigos coloridos – ele respondeu se levantando da cadeira.
- O que? – perguntei novamente me sentando onde ele estava sentado – Onde?
- No A Noite Toda, – ele disse indo em direção ao Floppy, que estava mordendo alguma coisa que eu não consegui identificar na hora, mas estava me dando nojo.
- E estão falando bem ou mal de mim? – perguntei tentando adiantar se valeria a pena ver o que estava no jornal.
- Lê ai! – disse ele pegando o jornal e jogando de volta para mim.
Calmamente comecei a revirar o jornal atrás da coluna social A Noite toda, que nada mais era que a coluna social mais disputada da cidade. Suas fotos sempre vinham de um fotografo que ficava rondando por inúmeros pontos da cidade onde o agito era de nível. Infelizmente eu nunca saia bem nessas fotos, ou melhor, até saia, o problema é que sempre quando esse fotógrafo aparecia para tirar alguma foto nossa, eu sempre estava alterado de alguma forma, o que me deixava apreensivo em relação ao que foi fotografado a cada vez.
Depois de fazer uma rápida busca no jornal, eu finalmente achei a página que procurava onde havia apenas três fotos em destaque nela e várias outras menores em volta e, justo a do meio se encontrava Ryan, Sabrina e eu. Estávamos um de cada lado de Sabrina que se encontrava ao meio fazendo uma de suas caras e bocas de sempre, Ryan estava dando um beijo no rosto de Sabrina de uma maneira um tanto sensual e eu parecia esta beijando entre seu pescoço e sua orelha tentando fazer a sexy também. Na legenda estava escrito: ‘(Da direita para a esquer.) Ryan Lemisk, filho da Lemisk’ Tec, a modelo e dona da noite Sabrina Paranine, filha de Osvaldo Paranine e Gabriel Aishty, da Familia Le Grand Rouge’.
- Dona da noite, esta foi boa! – falei rindo olhando para a foto que em si estava boa.
- Papai vai te matar! – disse meu irmão se sentando novamente ao meu lado.
- Claro que não, - falei em tom sarcástico, eu sabia que de qualquer maneira aquela foto me traria problemas – eu estou pegando uma garota como ele sempre quis não?
- Aposto que ela é sapatão, - ele respondeu olhando diretamente nos meus olhos, como sempre, só para me irritar – e ainda tem esse seu namorado junto.
- Ai, me erra garoto! – respondi seriamente separando a foto para levá-la para o meu quarto.
Em geral, éramos até bons irmãos, mas as vezes Math resolvia pegar no meu pé de maneira absurda. Em minha opinião aquilo era porque ele não saia com os amigos dele, que eram muito nerds e acompanhado com o protecionismo excessivo de minha mãe eu sentia que aquilo nunca iria mudar.
O sol parecia estar cada vez mais brilhante e meus olhos ardiam de tanto sono. Eu já estava quase no fim do pote de sorvete, pensando na vida, sei lá, fazia muito tempo que eu não ficava acordado até tão ‘tarde’, ainda mais sem nenhuma substancia ilícita. Eu fui subindo para o meu quarto enquanto minha mãe ainda estava no telefone e ao que me parecia, era minha chata tia Camille que insistia que eu era um problema para a família.
- Não se esquece de chamar seus amigos para a noite de hoje, - disse minha mãe quando passei por ela, sua voz parecia tão distante na minha cabeça naquele momento - deixarei uma mesa para vocês, então me confirma até as 18 horas... o que, não Camille, estou falando com o Gabriel...
Eu apenas fiz um sinal de ‘ok’ com a mão, pois já não estava me agüentando em pé. Do nada meu pensamento se voltou para Johnn e em como seria dali para frente, naquele momento eu senti a necessidade de um bom conselho para saber o que viria pela frente.
Chegando ao meu quarto, rapidamente me joguei sobre minha cama ainda desarrumada, o sono era tanto que eu não sentia a necessidade de me cobrir com o edredon, apenas estando por cima dele já estava me mantendo aquecido. Quando meus olhos estavam já se fechando me veio à cabeça que eu iria ter de chamar a galera para o role no Le Grand Rouge, mas a preguiça era tanta que eu sentia que aquela tarefa teria de ser passada a outra pessoa e com muito sacrifício, peguei meu celular e enviei uma mensagem para pelo twitter:
“mamãe ainda tem cinco estrelas, @ryan_land, pode agitar o role no Le Grand Rouge que hoje é por minha conta xoxo”
Largando meu celular por qualquer parte da cama, meus olhos finalmente se fecharam. Eu me sentia literalmente nas nuvens... meu corpo parecia estar flutuando e logo me vi sonhando com uma festa bem agitada, mas o lugar era difícil distinguir, talvez fosse a festa de aniversario de Ryan, que estava se aproximando. Mas o estranho era que só tinha garotos na festa e em sua maioria eu já tinha pegado. Comecei a me sentir envergonhado de estar naquele lugar, mas os garotos vinham na minha direção e começavam a passar suas mãos, que estavam geladas em mim. Logo Johnn apareceu no meio de todo aquele emaranhado de mãos e por um momento pensei que estava ferrado, mas Johnn parecia não estar ligando para aquele monte de garotos em cima de mim e rapidamente veio em minha direção e mordeu a ponta da minha orelha.
- Johnn? – perguntei sentindo que a mordida, apesar de leve, parecia ter sido real.
- Porque não tenta Ryan? – disse Johnn com a voz de Ryan, rapidamente eu abri meus olhos e vi que Ryan estava em cima de mim e Sabrina ao seu lado, os dois passando as mãos pelo meu corpo.
- Aaah fuck off, man! – falei me sentando rapidamente e o empurrando.
- Surpresa! – respondeu Sabrina toda animadinha.
- O que vocês dois estão fazendo? – perguntei me sentando rapidamente enquanto os dois começavam a rolar de rir na cama.
- Como você não atendia seu celular resolvemos dar uma passada aqui antes de irmos para o role. – disse Sabrina mais calma depois dos risos – Ai quando chegamos seu irmão disse para nós te acordar, pois não queria enfrentar o seu mau humor...
-... E nem correr o risco de te pegar pelado com algum cara! – falou Ryan ainda entre risos.
- Muito gentil da parte do meu irmão. – respondi tentando ser o menos sarcástico possível.
- Ele é uma gracinha. – respondeu Sabrina mais calma, o que por um momento me fez vir logo à cabeça que em alguns anos, caso o estado de Nerd do meu irmão se tornasse irreversível, eu teria de utilizá-la, com seu belo corpo, para tentar fazer algo a respeito- E que horas são? - - Exatamente dezoito horas e trinta minutos! – respondeu Sabrina se deitando ao meu lado.
- Caralho, estou realmente atrasado, você agitou o role Ryan? – perguntei começando a caçar meu celular no meio do edredom, que rapidamente encontrei.
- Já combinei com a galera toda e já confirmei os nomes com sua mãe! – respondeu Ryan se sentando na minha cadeira e ligando o meu MacBook
- Obrigado! – respondi com um sorriso de satisfaça no rosto, eu não era nada sem Ryan.
- Às oito e meia temos de estar no restaurante, - continuou ele falando - consegui chamar a galera de ontem, menos Amanda que esta inrastreavel e Johnn, porque eu achava que ele estava com você.
- É mesmo, donde estas Johnn? – perguntou Sabrina brincando com seu péssimo espanhol.
- Esta com o pai, uma merda! – falei começando a digitar uma mensagem para Johnn, perguntando onde ele estava.
- E vocês dois, como estão, conta para a titia! – disse Sabrina com sua maneira confiante de demonstrar.
- Estamos bem agora! – respondi meio sem graça.
- Da pra ver, - disse Ryan já abrindo o iTunes e começando uma busca por uma boa musica – você já esta até sonhando com ele!
- Mas espera ai! – disse Sabrina fazendo sua cara de quem estava em duvida – Você me diz que esta bem com Johnn sempre, quando na verdade esta brigando, dessa vez esta tudo bem mesmo?
- É, acho que agora estamos realmente sérios agora! – falei com um sorriso no rosto que rapidamente foi retribuído por ela. – Tipo, no sentido de ficar juntos, sem pegar mais ninguém e acabar com as brigas!
- Ah que legal, finalmente, - continuou ela – já estava na hora. Ninguém agüentava mais ver os dois brigando todos esses meses, sendo que era óbvio que vocês se gostavam.
- Ah, sei lá! – comecei a falar me encostando ao lado dela – isto é, estranho para mim, toda a fama que tenho pela cidade, sempre achei que devia fazer juz a ela, mas agora chegou naquele ponto em que eu não estava agüentado sabe.
- Mas o que você quer, a sua fama de pegador ou amor do Johnn? – perguntou Sabrina com sua sinceridade que às vezes chegava a me assustar – Sabe, eu acho o grande problema na relação de vocês dois sempre foi este, os dois sempre estavam mais preocupados com que os outros pensavam do que o que vocês mesmo achavam da vida de vocês.
Se antes de me deitar eu estava necessitando de um conselho, naquele momento não precisava mais. Sabrina naquele momento abriu os meus olhos para o que eu estava fazendo todo aquele tempo, que era exatamente tentar manter as aparências para o role.
- Você tem razão, - falei olhando novamente para a tela do celular na esperança de ver uma resposta de Johnn – Eu realmente passei mais tempo do namoro parando para pensar com o que vocês achariam. Mas chegou aquele ponto em que eu não sabia mais o que eu estava fazendo e eu acho que Johnn também. Semana passada na festa dos gêmeos ele já havia me perguntado o que eu queria com ele, mas ontem, o momento, o beijo, tudo me pos a crer que talvez eu realmente ame Johnn...
- Pelo visto alguém andou fumando um haku e não nos chamou. – disse Ryan rindo – Oh my fucking god, Gabriel Aishty dizendo que ama alguém, quem diria que eu viveria para ver isto?
- Que arraso! – exclamou Sabrina toda contente – E você chegou a dizer o que você esta sentindo a ele?
- Sim... – falei meio sem jeito, afinal eu estava quebrando uma das regras do role, que se dizia a respeito do amor.
- E ele o que disse? – perguntou Ryan.
- Que também me ama... – respondi.
Naquele momento, Sabrina começou com sua zoação, desejando tudo de bom, o que era de se esperar, enquanto Ryan só ria e começava a fazer piadas do tipo vamos fazer uma festa para solteiros na semana que vem!... Sim, eu amava meus amigos. Logo estávamos os três novamente deitados na cama vendo nossa foto no jornal enquanto Santigold tocava no iTunes dando cada vez mais animo ao inicio a nossa próxima noite de sábado.
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