
| UM OLHAR DIZ TUDO |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por: Abreu![]() |
Qua, 10 de Março de 2010 04:11 |
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Não existe nada pior que a solidão. Tirando doença, claro! E não importa a idade. Não falo de isolamento e retração, quando a mágoa é tanta que não queremos saber de ninguém nem de nada. E não digo desse período de transição que todos conhecemos, quando estamos na busca frenética por um novo amor, a exigir qualidade e mais qualidade, diferente de tudo aquilo que já é passado. Falo daquele momento em que o limite expandiu-se por completo e as exigências vão-se reduzindo de tal maneira que uma loira já pode ser morena e em último caso já ficamos a olhar com aquele olhar de desejo até uma cabo-verde. E nenhum preconceito com as mulatas ou negras. Falo de minha preferência pessoal. Tem beleza estonteante que passa batida. Os amigos babando e eu na minha. A mulher que eu buscava era uma mulher normal em todos os sentidos. Que até passasse despercebida para os presentes e até amigos. Importante que o coração acelerasse quando os olhos estivessem a escaneá-la. Claro que estando bem vestida e disposta naquele ambiente onde todos estamos a nos testar e o interesse no limiar do limite, já era uma indução. E foi justamente ali que a conheci. Depois de muitas apresentações, o que já ocorria há mais de quatro meses, quando os amigos mais próximos iam incluindo na roda a amiga da amiga, a formar casais e parceiros para curtir em conjunto os bons momentos, que o olhar se reacendeu. E foi quando já estávamos na amiga da amiga da amiga de muitas outras amigas que os nossos olhares, enfim, se encontraram naquele interesse mútuo. E rezei para que não tivesse passado escabroso, gênio impossível e trouxesse no bojo um mínimo de cultura, além de nenhum filho alheio a atrapalhar o futuro. Soraya era para mim um espetáculo. Uma médica beirando os trinta anos, linda, charmosa e de uma meiguice ímpar. Já no terceiro encontro poderíamos dizer que nos preenchíamos em interesse e que não importava onde era o barzinho, o show, a festa ou a praia que nada nos incomodava. E mesmo tendo aparecido pessoas interessantes dos dois sexos nessa roda sempre renovada, nada se alterou em nossos interesses. Sabe aquela coisa de não avançarmos muito a não quebrarmos um elo ainda em formação? Era o nosso caso. E mais de mês depois, ocorrera somente uma troca de carinho mais ousado, as perguntas básicas já respondidas e acatadas, a intimidade a nos levar para uma individualidade prazerosa, onde o cinema, o sorvete e o cappuccino na livraria do shopping já ampliavam os encontros, sem o incômodo e a algazarra dos amigos festeiros e indiscretos. Um dia, enfim, ela discorreu sobre sua especialidade. – Você é o quê? – Indaguei, olhando-a bem de perto a sentir o seu frescor, aqueles olhos amendoados cor de mel interrogando abertamente os meus, como a buscar entendê-los. – Iridóloga? – Ela afirmou com a cabeça, sorrindo deliciosamente, ainda a me encarar com um olhar triunfante. – Cada pessoa tem uma personalidade própria e cada qual tem fascínio por alguma coisa, compreende? – Pergunta-me em voz melosa e alvo sorriso franco, tocando carinhosamente minhas mãos, mal o sol se pôs na baía, o Barravento em brisa harmoniosa. – O que mais me atrai em uma pessoa é seu olhar. Não para enveredar pelos labirintos do sentir, a tentar descobrir até onde vai o seu pensar. Mas a entender de qual forma posso ajudá-lo para ter uma vida mais saudável. – E existe essa especialidade? – Pergunto-lhe, ainda incrédulo, achando que já sabia tudo sobre ela e que nenhum mistério iria atrapalhar nossos corações, a se unirem a cada dia em franca satisfação. – Da mesma forma que os chineses mapeiam os pés e com toques sutis descobrem problemas em qualquer órgão interno, podemos fazer o mesmo. A configuração de nossa íris é um mapa que nos mostra tanto aspectos físicos quanto emocionais e este estudo pode se constituir num importante aliado nos processos de tratamento de sintomas e doenças e, especialmente, de autoconhecimento. – Entendo. Como a ayurveda, executada pelos indianos ou ainda a xamântica pelos indígenas. É isso? – Pergunto-lhe como a mostrar interesse e dar-lhe a entender que tenho um pouco de conhecimento sobre o assunto, a não deixá-la se superar e fugir do meu controle. – Também. Como pode notar o estudo do que ocorre por dentro do corpo humano através de observações de áreas externas não é exclusividade da iridologia. – Seus olhos brilham ao sentir meu interesse sobre o assunto. – Bem... Tratar órgãos e sistemas sem qualquer acesso direto a eles seria um tipo de medicina alternativa... É isso? – Busco ser cauteloso a não dar nenhum fora, pois pouco conheço do assunto e realmente o meu interesse por ela estava se ampliando. – As pessoas receiam o que desconhecem. Esse o motivo que a iridologia ainda não está expandida e utilizada em profusão pela medicina moderna. – Ela suspira forte e volta o olhar para o reflexo da lua no mar, já a se acentuar, enquanto beberica seu drinque. – Se chateie não meu amor... Sabe que brevemente os conceitos mudarão. Tiro por mim que pouco conhecia sobre a área e já estou interessadíssimo! – Exclamo com satisfação enquanto afasto uma mecha do cabelo de seu belo rosto com delicadeza a dar-lhe ânimo, enquanto aguardo com atenção novas explicações. – Beto, os pacientes marcam a consulta, ouvem pacientemente minha explanação, se assustam quando o meu diagnóstico bate exatamente com os exames que ainda não me mostraram, ficam surpresos quando falo do risco que correm em curto e médio prazo caso não mudem seu estilo de vida e mais ainda quando cito com franqueza os problemas que já estão a se manifestar... E ao invés de indicarem os amigos e conhecidos, a valorizarem a iridologia, somem. Simplesmente não voltam mais. Pode? – Mas isso muda. Verá. – Tento harmonizar o ambiente, ao sentir a tensão em sua voz. – Marina, a médica amiga que me iniciou nessa área já tem mais de vinte anos de especialização e até hoje pena para ser reconhecida. A falta de cultura do brasileiro médio é chocante! – Olhe, como sabe sou engenheiro na Deten e a cada seis meses a empresa nos obriga a fazer o exame periódico. E nunca ouvi qualquer menção sobre essa especialidade. E leio muito. Na verdade, leio tudo que se apresenta no dia a dia. E sinceramente, se não a tivesse conhecido, não estaria dando importância a iridologia. Na verdade, pouco ouvi falar. Mas sabe que hoje em dia o povo está se instruindo mais... Sim, mas diga-me... Como é o processo? – Tento contornar qualquer discussão, tão bem está a cada encontro. – A íris é formada por um tecido de fibras nervosas que recebem as informações de todo o sistema nervoso. As terminações do nervo ótico são um prolongamento exterior do sistema nervoso autônomo, por onde se pode observar a constituição física e psíquica do indivíduo. E assim, depois de mapeado, elaboro um programa de desintoxicação e reconstrução do organismo. – Interessante! E realmente tem a ver. Um olhar diz tudo... – Ela olha-me com ternura, vendo-me como aliado, já a relaxar, enquanto fico admirando seu jeito dócil, sua personalidade forte e decidida, satisfeita com minha presença, nada a incomodar ou nos afastar desse momento prazeroso. – Mas diga-me, como se iniciou esses estudos? – Os registros mais antigos sobre o estudo da íris foram encontrados há bastante tempo, em cerâmicas no Egito que mostram desenhos de íris com sinais iridológicos. Mas foi com o médico húngaro Ignatz Von Peczeley no final do século XIX que se iniciaram os modernos estudos dessa importante área do conhecimento humano. – E como é feito o diagnóstico? Você prescreve remédios? – Na verdade, não fazemos uso de medicamento alopático. O mapeamento é uma oportunidade para se conhecer melhor cada indivíduo e se tomar as medidas preventivas para evitar que os desequilíbrios se instalem no organismo. A maior filosofia da iridologia é: não precisamos morrer doentes. – Então façamos o seguinte: agende um horário para mim semana que vem porque realmente me interessei e quero fazer um exame completo. E então você me explica com mais detalhes tudo sobre a iridologia, certo? – O assunto vai ficando mais técnico e o momento é para namorar. Aproveito o intervalo e pego suas mãos com carinho e olhando-a nos olhos, aguardo sua resposta. – Certo meu anjo... Vamos então falar de coisas mais amenas... Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Qui, 11 de Março de 2010 08:07 |
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11/03/2010 - 11:47:21 |Registered| Cilas_Medi
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11/03/2010 - 16:35:15 |Registered| Deinha
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11/03/2010 - 18:00:28 |Registered| Crisfucs
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11/03/2010 - 20:04:51 |Registered| NivaldoFerreira
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11/03/2010 - 23:24:26 |Registered| claudioangelus
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12/03/2010 - 09:59:46 |Registered| sunshineNossa Abreu, que delicia de texto! Acredito em olhares também, é lindo teu texto, parabéns e estrelas todas pra ti
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12/03/2010 - 11:05:46 |Registered| rosimeri antunes ferrari
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13/03/2010 - 00:30:50 |Registered| RaymundoLuizLopes
Abreu, tenho algum conhecimento da Iridologia, da medicina chineza e indiana... E posso dizer, modestamente, que você aborda satisfatoriamente tais assuntos. O outro lado da moeda, é a maneira como você narra a descoberta, o encontro, o desejo, a conquista... Enfim, um romântico, com saudável humor, ligando a sua íris à outra.Yang em busca do Yin. No final, o sucesso se anuncia, rsss. Gostei, parabéns!!
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13/03/2010 - 02:06:02 |Registered| Giba
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13/03/2010 - 05:35:04 |Registered| Monique_Lemes
Engraçado, na hora que abri seu texto para ler Abreu eu estava ouvindo Íris do Goo goo dolls... E é somente por isso que olhamos nos olhos das pessoas; " And I don't want the world to see me 'Cause I don't think they'd understand When everything's made to be broken I just want you to know who I am" Somente um olhar pode traduzir tudo e dizer mais do que as vezes as palavras não ousam... Adorei!!!
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13/03/2010 - 22:33:12 |Registered| Niki_
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14/03/2010 - 01:04:38 |Registered| Kokranne
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14/03/2010 - 12:54:42 |Registered| Luciene_Aguiar
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14/03/2010 - 13:36:45 |Registered| ReginaldoRodrigues
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15/03/2010 - 08:43:07 |Registered| Claudiopoeta
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15/03/2010 - 16:29:44 |Registered| master22
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15/03/2010 - 19:35:18 |Registered| Pamaro
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15/03/2010 - 22:47:18 |Registered| Laurindo
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16/03/2010 - 08:44:42 |Registered| rackel
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16/03/2010 - 13:28:08 |Registered| kitan
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16/03/2010 - 19:02:01 |Registered| PMCV
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16/03/2010 - 22:37:06 |Registered| Eliza
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17/03/2010 - 14:36:48 |Registered| Juarez_do_Brasil
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18/03/2010 - 06:42:25 |Registered| gina
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18/03/2010 - 13:00:53 |Registered| carmenluxa
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19/03/2010 - 04:13:13 |Registered| Rafael_Ugulino
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Sua introdução é perfeita Abreu, acho que não conseguiria fazer algo parecido, mas não consigo evitar de pensar que esse conto se transformou numa entrevista fictícia. Não leve a mal meu comentário, por favor. Além do mais fiquei muito interessado também no tema e vou pesquisar mais, afinal é pra isso que estou aqui, para aprender, parabéns 4 estrelas.
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19/03/2010 - 17:19:57 |Registered| PriscyTavares
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20/03/2010 - 19:37:57 |Registered| GiuliVocê se supera!
, a melhor parte desta história quem faz é você.
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20/03/2010 - 19:59:55 |Registered| poetarj
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21/03/2010 - 15:42:07 |Registered| charlescanela
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22/03/2010 - 10:15:57 |Registered| veruska
Qual iridologia, qual quê... Quando você encontra uma médica simpática, porventura com uns olhos lindos, é esquecer a consulta... Avance para o namoro... É bem mais agradável... Depois, por vezes a doença desaparece. Que belo texto... Outra coisa não era de esperar dum profissional como você. Beijos.
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22/03/2010 - 11:12:28 |Registered| jackiebarra
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22/03/2010 - 19:54:27 |Registered| Nadi
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25/03/2010 - 10:16:19 |Registered| José Emir
Olá Abreu! Tudo Bom? Não é à toa que você tem mais de dez mil pontos. Estás insuperável. De todo teu texto extrai uma frase: "na busca frenética por um novo amor". Quando me honra com a tua visita já percebeste que este é o meu dilema, estou sempre na busca de um novo amor, porque viver sem motivação fica mais dificil. Obrigado pelas visitas e comentários, José Emir
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25/03/2010 - 12:57:23 |Registered| PaolaRhoden
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29/03/2010 - 18:56:28 |Registered| NivaldoFerreira
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31/03/2010 - 06:37:26 |Registered| LeilaDohoczki
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03/04/2010 - 01:58:49 |Registered| callagata
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Quando entrei no seu belo texto, esperava somente o romantismo presente e eis que além desse ingrediente que administrou de forma brilhante, ainda preencheu as lacunas com um assunto tecnicamente bem abordado e, por que não dizer, no mínimo interessante! Parabéns por tão bela inspiração! Abraços renovados!
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18/04/2010 - 00:47:54 |Registered| Alexandreschorn
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18/05/2010 - 12:18:04 |Registered| Pimenta
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18/06/2010 - 14:48:17 |Registered| morenarosa
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21/06/2010 - 22:12:41 |Registered| Roberval
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23/07/2010 - 10:28:26 |Registered| MALU2506







































