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Sábado, 04 Set 2010
Escrito por: Frodo Oliveira
Frodo Oliveira

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À MULHER QUE NUNCA EXISTIU

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( Invento coisas que não vivi,
talvez por viver o que não inventei.
Por que a vida é tão complicada?...)

Eu te encontrarei um dia, por acaso
e simpatizarei contigo, digo, e por que não?
Juntos lembraremos casos sobre casos
e nos alegraremos pelas ilusões.
Atravessaremos praças da cidade
e conversaremos sobre coisas vãs:
Deus, filosofia, vida, liberdade
nos encantaremos, lá se foi manhã.

(As horas voam se estamos felizes.
Por que é o tempo inclemente?
Aonde se esconde o amor?)

Alimentaremos nossa fome ávida
de conhecimentos um do outro, e assim
nem perceberemos que a tarde cálida
em meio a brisa árida chegaria ao fim.
Entraremos noite, juntos, de mãos dadas
festa enluarada, copos de papel
e nos desejaremos, alta madrugada
vinho, voz, baladas, nessa estrada ao léu.

(O amor é mais forte
quando se sabe que não haverá amanhã.
Por que o pensamento é tão cruel?)

Então, vislumbrarei teu corpo
inebriado, louco, meu desejo quer.
Minha barba rala dirá que sou um homem
tua coxa esguia dirá que és mulher.
E eu me deitarei em teus lençóis de seda
ouvindo no teu peito o palpitar da alma.
Assim, te despirei do penhoar de renda
e te penetrarei em serenante calma.

(Os gemidos silenciosos dos nossos corpos
fazendo-se um só, e por fim,
o meu amor a te inundar.
...Seria esse o sentido da vida?...)

Nos despediremos na promessa incerta
de nos encontrarmos em um outro dia.
Mas será que o tempo, essa porta aberta,
conservará intacta a nossa magia?
Até logo, adeus amor inexistente
não foste certamente quem tanto eu quisera
novamente adeus, meu grande amor ausente
tristemente adeus, meu grande amor quimera...

Epitáfio:
(Despedidas são sempre tristes,
principalmente se são imaginárias.
Se é loucura, o que restou então?
O amor que se viveu... Ou não.)



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Seg, 26 de Janeiro de 2009

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