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Cap. IV- A África em um outro ângulo- Nova República- As novidades do que não mudou. Enviar por e-mail
Artigos Científicos - Ciências Sociais

Escrito por Hal Wildson
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Qua, 14 de Janeiro de 2009 09:37
UM CONTINENTE, MUITAS ÁFRICAS.

"Povos diversos que foram se formando ao - longe de milhares de anos. Múltiplos povos com culturas diferentes", o trecho da fala de um importante pesquisador e professor Valdemir Zanparoni, nos deixa mais que claro o continente africano era habitados por diversos povos; ou seja, cada etnia possui seus costumes, tradições, hábitos, e sua própria cultura, o que reforça mais ainda, esclarecem e detona a idéia de que o continente africano era recheado de culturas e povos distintos, uma África que se dividia em traços culturais.

Com o tráfico de escravos para as terras brasileiras, com eles vieram grande parte da sua bagagem cultural, esse intercambio cultural transformou esses reflexos culturais em apenas um: a cultura afro-brasileira, resultado da união dos costumes africanos diferentes povos, com os povos que já habitavam o Brasil, transformando aos poucos esses traços culturais, relações sociais e costumes lingüísticos.

Entre a cultura afro-brasileira e a nativa africana, houve ainda muitas mudanças e permanência da cultura nativa da África. Os estilos, tradições e cultos foram se transformado ao poucos. Na cultura afro o estilo dos cultos religiosos, vestimentas, e as danças permaneceram os mesmo.

Contudo, os costumes e a sociedade brasileira transformou aos poucos devidos hábitos, mediante à presença ideológica européia na sociedade.

No Brasil a estética das vestimentas idealizou a cor branca, devido a influência estrangeira, que imaginavam a cor branca como sinônimo de pureza e divindade; entretanto, na África as cores eram extremamente coloridas. Desta forma, pode - se notar diversas outra rupturas nessa cultura que ocorre principalmente por motivos de influência social.

Desde o primeiro contato dos colonizadores europeus aos povos africanos, já se podia notar que as diversidades e a evolução cultural eram enormes.

Contudo, a verdadeira idéia dos europeus eram inferiorizar os povos africanos, e como fazer isso? A partir da homogeneização da cultura e dos povos, os europeus conseguiam levantar uma idéia leviana e preconceituosa sobre os povos habitantes da América, e passaram a idealizá-los como peças, inúmeras peças, porém, uma igual à outra, sem nenhum ideal e nenhuma história, criando falsos pensamentos e teorias sobre o povo africano.

(Baseado no artigo Ubiratan Castro de Araújo. Nossa História, Ano 1/n° 3 , Janeiro 2004. pág. 78.).

"Um roteiro com regiões, pontos e etnias africanas mais recorrentes no tráfico de escravo para o Brasil, presentes na memória social e na massa de sangue de muitos brasileiros".
(Ubiratan C. Araújo).
Ajuda ou vida: Porto da região de mesmo nome situada a leste do antigo reino do Daomé. Pertence atualmente à República de Benim.

Efon: Referência ao reinado Fon do Daomé. Os fons correspondem a 39% da composição étnica da atual República de Benim.
Egbá: Natural do país de mesmo nome localizado no antigo reino do Daomé.

Gege ou Jejes: Negros oriundos do reino do Daomé, os daomenos.
Golfo de Benin ou Costa dos Escravos: Região que compreende o litoral da Costa do Marfim até a Nigéria, no oeste da África.

Haussãs ou Hauçãs: Formam, atualmente, 23% da composição étnica da Nigéria.
Jebu ou Ijebu: País dos Jebus localizado a leste de lagos, no antigo reino Iorubá.

Lagos: Cidade portuária a que fazia parte do ciclo do trafico do Golfo de Benin, em lagos, antiga Onim. Atualmente, a cidade pertence à Nigéria.
Nagô: Nação da África Ocidental que sob o nome Iorubá forma 21% da composição étnica da Nigéria e 12% da República de Benim.

Luanda ou Loanda: Atual capital da República de Angola.
(Ubiratan Castro de Araújo é professor - adjunto do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia e presidente da Fundação Cultural Palmares/ Ministério da Cultura).



ANTIGOS IMPÉRIOS AFRICANOS

Perpassados de ceticismo, a história das antigas civilizações Africanas, ultrapassam as idéias generalizadas de uma única África. Recheada de culturas, hábitos, tradições religiosas, mitos, e povos distintos; a África por volta do século XV dava um dos maiores saltos da evolução humana.

Entre os principais reinos que habitavam o território africano, estão: Teckur, Ghana, Mali e Sanghai; foram eles os Impérios que batizaram a antiga faixa Sudanesa Ocidental.

O segundo maior império que constituiu o território africano, se localizava na característica: "Costa do Ouro", conhecida principalmente pela pratica comercial. Os povos berberes foram os primeiros a expandirem o comércio nessas regiões; eles partiam da Arábia Saudita, e percorriam até a Costa do Ouro, realizando constantemente negociações e trocas comerciais; o comércio desde então passava a apresentar muita importância na econômia do império, que normalmente era baseada na agricultura, pesca, pecuária e artesanato.

O Império de Ghana possuía um forte laço comercial com os demais reinos, a linha de comércio partia também desde a Costa do Ouro, até a nobreza européia. Por volta do século XV, os povos de Ghana já praticavam acordos comerciais com os europeus, que desde então criaram muita cobiça por essas terras, que eram abundantes em ouro.

Devido ao crescimento absurdo do comércio nessa região, a sociedade de Ghana passa a realizar acordos tributários, ou seja, tudo que entrava e saia de Ghana era cobrado pelo governo.

De modo com que os olhares aumentaram sobre as terras do ouro, fora obrigatório a militarização do povo, formando uma política extremamente rigorosa.

Organizados em clãs, a sociedade permanecia sempre em senso coletivo de trabalho; a sua política era baseada no alafinato, que era cada vez mais comem nas sociedades ocidentais. O Alafinato correspondia à forma mais tradicional de organização dos povos; onde o rei era eleito exclusivamente pelo Conselho de Anciões da aldeia. O Alafim era chefe político, militar e religioso, e seu poder era totalmente respeitado.

O poder de Estado de Ghana crescia cada vez mais, fazendo com que os outros povos buscassem uma tentativa de liderança.

O plano da sociedade Árabe: "conquistar e levar a religião para outros povos",deram extremamente certo, pois foi com essa tática, que os Árabes partiram até a Espanha conquistando e levando uma certa bagagem da cultura mulçumana para outras nações. Essa difusão cultural aumentou notavelmente o poder da sociedade mulçumana, provocando gravemente a decadência do Império de Ghana.

Enquanto as atenções apontavam para Ghana e os Árabes, o Reino de Mali centralizava grande parte do seu poder; denominado - se mais adiante o terceiro maior império.

Com a expansão da cultura mulçumana por essas regiões os conhecimentos desses povos aumentavam cada vez mais.

Contudo sua constituição política, social e econômica, correspondia sempre aos demais Estados basicamente da mesma forma.

Uma das diferenciações de Mali é a sua intensa concentração em grandes centros comerciais, sendo esse um dos fatores que favoreceu sua conquista sobre os Árabes.

O comércio sempre representou muito na África Antiga; o domínio do comércio do trafico Atlântico fez com que o Império de Sanghai garantisse a quarta posição entre os mais importantes reinos.

Em meados do século XIX, os europeus finalmente conseguem invadir o território africano; com as invasões consolidadas, os colonizadores realizam um dos planos mais destrutivos da história. Com o objetivo de criar a África, os exploradores destroem qualquer vestígio que aqueles povos pudessem deixar, demolindo bibliotecas, construções, obras artísticas; enfim tudo que acrescentasse qualquer importância à civilização africana.

Contudo, é impossível não se dar conta da tamanha cultura hereditária que essa nos deixou; hoje principalmente no Brasil, há incontáveis notações de o quanto as civilizações africanas acrescentaram em nossa história, dando-nos parte de seu progresso, cultura, História, tradições, cultos; enfim, um emaranhado de conhecimento.


A COSTA DO ESCRAVO

Conhecido pelo tão tradicional tráfico de negros; a Costa do Escravo era principalmente habitada pelos povos Iorubás, sendo esses denominados: "povos guerreiros". Localizado onde hoje é: Togo, Serra Leoa, Benim (...), essa era uma região rica em fertilidade e em floresta. O Império Iorubá baseava sua econômia na agricultura, pecuária, comércio e principalmente um dos campos de maior destaque dos iorubás, foi a produção artística; a tamanha agilidade e concretização de técnicas na realização de artesanato era tão evoluída, que para os colonizadores os povos de Iorubá eram descendentes das civilizações gregas.

Outra característica bastante comum entre os iorubás, era sua política do Alafinato, sociedade tributaria, classificação de linhagens, e a militarização dos povos.

Assim como na sociedade Ocidental os iorubás escravizavam os criminosos e mal - feitores do reino, sendo eles transformados em escravos. O termo escravo não implicava em trabalho sem remuneração, mas sim, ser escravo seria o mesmo que a perda da própria cidadania. Foi com essas ações escravistas que iniciaram - se os primeiros tráficos de escravos; com esse sistema político iniciou - se a negociação dos iorubás com os europeus, onde os negros eram utilizados como mercadorias.

Dentro do território Iorubá havia diversos povos que ocupavam essa região; entre esses povos estão os Fons; foram eles mais tarde que entraram em conflito com os iorubás, onde a derrota significativa à escravidão.

No decorrer do tempo foram eles os principais interlocutores culturais entre a África e o Brasil. Mais adiante esses negros escravizados, nativos de Iorubá, organizaram no Brasil, revoltas e rebeliões, o que faz com que fossem deportados de volta para a África. Esse intercâmbio resultou cada vez mais nessa difusão cultural; os escravos retornados (Agudás),foram os primeiros articuladores desse sistema cultural.

O conhecimento e aprendizagem nas aldeias iam muito além, os próprios escravos e Agudás dominava a escrita, a língua árabe, a língua portuguesa, e haviam inclusive a fiscalização nas tarifas e impostos, produção monetária, e a definição de profissões.

Hoje o Brasil possui em sua hegemonia cultural, grandes traços da cultura africana. É impossível não reparar a tamanha interferência que a cultura negra depositou na história, e principalmente no Brasil; a dança, cozinha, religião, arte, arquitetura, e muito mais ingredientes que formam essa magnífica cultura"Afro"; a cultura Afro - Brasileira.     



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Última atualização em Qui, 15 de Janeiro de 2009 14:10
 
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